Feira de Ciências se encerra com quadra lotada

Com a quadra cheia, ocorreu a premiação da Feira de Ciencias e Tecnologia 2014. Este ano, a Feira teve 41 grupos do Ensino Fundamental e 16 equipes do Ensino Médio (14 da 2.a série do Ensino Médio e 2 da 1.a série) mesclando as áreas de Biológicas, Exatas e Humanas, com a coordenação dos professores José Ricardo Almeida, Cristiana Mattos e Marly Machado.

Os coordenadores da Feira Marly Machado, José Ricardo Almeida e Cristiana Mattos.

Os coordenadores da Feira Marly Machado, José Ricardo Almeida e Cristiana Mattos.

 

A coordenadora da Feira Marly Machado comentou sobre a dificuldade dos alunos em preparar os projetos para a apresentação, destacando a maturidade, autonomia e disciplina conquistadas nesse processo. “A Feira é fruto de um trabalho daqueles que um dia serão nossos líderes”, concluiu com enorme satisfação.

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Reunindo pais, alunos, professores e convidados, os projetos foram apresentados não só no ginásio, mas também no pátio, nos laboratórios e nas inúmeras salas. Estima-se que cerca de 1.000 pessoas visitaram o evento. Os trabalhos foram avaliados a todo momento pelos visitantes em iPads e também pelo grupo de jurados, que nesta edição, incluíam pais de alunos, como Lilian Sharovsky, Esleide Casella e Carla Metzner. Após a apuração criteriosa dos jurados, o resultado foi:

Ensino Médio

1.o lugar: Jogos Aplicados ao Aprendizado
2.o lugar: Biofilme Identificador de ph
3.o lugar: Alimentos Probióticos

Júri popular- Curativo Inteligente

Ensino Fundamental – Vencedores

9.o ano: Enxergando com outros olhos
8.o ano: Na onda dos fungos
7.o ano: Brinquedo para o desenvolvimento da fala para crianças com Síndrome de Down
6.o ano: ONG Bandeirantes, pequenos cientistas

Júri popular- Otimizando o caráter de medula óssea

Confira a galeria de fotos do evento clicando aqui.

 

São Paulo em duas rodas

Junto com a crescente onda do uso das bicicletas em São Paulo, dois grupos nesta edição da Feira de Ciências deram maior destaque ao meio de transporte de bicicleta. Em uma sala do bloco D, dois projetos, um que propõe transformar o esforço físico em energia elétrica e outro que visa a mobilidade urbana.

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Em um lado da sala o slogan “Transforma Gordura em Energia” e na frente uma bicicleta era o atrativo do grupo constituído pelos alunos Gustavo Rossi, Rafael Borges, Lucca Kuriki e Lucas Kobayashi, orientados pela professora Ana Cristina Camargo. “Basicamente é uma bicicleta que transforma energia dos seu músculos ou da sua gordurinha né [risos] em energia elétrica”, brincou um dos integrantes da equipe. “Então se você estiver pedalando já vai carregar seu celular”, completou.

Bicicleta em que acontece o recarga da bateria de celular

Bicicleta em que acontece o recarga da bateria de celular

O tema da Feira de Ciências deste ano é “Ciência e Empreendedorismo”. Pensando no lado empreendedor, o grupo observou que atualmente está em crescimento tanto a preocupação com a energia, quanto a obesidade das crianças, consideradas da “geração tecnologia”.  Uma vez que as novas gerações estão sempre freneticamente mexendo nos tablets, celulares e tecnologias, o protótipo foi produzido este público.  “Com este funcionamento da bicileta, eles serão mais motivados a andar de bicicleta, justamente para carregar o aparelho”, o grupo conto.

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Se seguirmos os inúmeros cartazes, colados nas paredes de tijolinhos no Band, escritos com letras maiúsculas “CUBO”, chegaremos a um grupo de meninas com blusa rosas. Movida pela curiosidade descobri que o Cubo é, na verdade, um triciclo elétrico que se transforma em uma maleta. A ideia de desenvolver uma “bicicleta maleta” surgiu pensando em agilizar a ida de casa até o transporte público, na dificuldade de se locomover com uma bicicleta normal no metro e na maior praticidade que este formato traria.

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O “Cubo” que pesa em média 20kg e pode ser carregado como uma mochila de rodinhas.

Em um mural, a equipe montou uma dinâmica explicação do modelo de negócio, mostrando a visão do empreendedor (o que é o projeto? quanto custa? quando fará? quem colocará em prática? como?) e a visão do cliente (as dúvida frequentes, os problemas). Para chegar as respostas o grupo fez inúmeras pesquisas no metrô, enquetes no Facebook e etc, chegando a conclusão de que o projeto do grupo das alunas  da 2.a série do Ensino Médio Aline Gouveia, Flávia Morandi, Giovanna Guerrero, Marina Moranduzzo e Naomi Mendes é viável.

Drones: acima dos holofotes

Por Fernanda Atihe e Gabriel Lerner

Os estudantes Lucas Kawahara, Alexandra Nardy, Giulia Paixão e as irmãs Ana Clara e Maria Paula Nina, todos da 1.a série ano do Ensino Médio, foram os responsáveis por chamar a atenção do Colégio inteiro na tarde da Feira. Com toda a razão: não é todo dia que vemos drones sobrevoando a quadra esportiva a mais de 20 metros do chão.
Os drones são veículos aéreos não tripulados, no caso, com hélices. Isso significa que, na visão dos leigos que vão se aproximando, se assemelham a helicópteros gigantes de brinquedo.

O grupo se diverte à tarde na Feira apresentando seu projeto.

O grupo se diverte à tarde na Feira apresentando seu projeto.

O projeto do grupo foi baseado na avaliação da exatidão e precisão do voo destes drones. Usando um código criado por eles numa linguagem especial de programação, foi possível eliminar os erros experimentais e as variáveis, afim de fazer com que um drone siga sempre a mesma rota (já que acontecia de ele sempre ficar inclinado para a direita, dando aquela impressãozinha desagradável de que poderia cair e decepar alguém). Para isso, contaram com a ajuda do professor Carlos Rafael da BandTec.

Drones estacionados, esperando o sorteio de quem irá pilotá-los.

Drones estacionados, esperando o sorteio de quem irá pilotá-los.

Apesar de terem enfrentado dificuldades variadas, como qualquer outro grupo, eles provaram que, muito além da tradicional Olimpíada de Química (onde é possível aprender a programar), é possível aprender programação com atividades incrivelmente lúdicas. A mostra do quinteto foi um sucesso, com momentos de descontração e até mesmo um sorteio entre os visitantes, em que o vencedor poderia pilotar um drone.

 

Entrevista com Gabriel “Bahia” Vilaça, aluno que pilotou um drone

Pergunta: O que você achou do projeto?
Gabriel: “Achei muito legal, o drone é uma tecnologia nova no Brasil e ainda não foram criadas leis para sua utilização”

Pergunta: Você teve a oportunidade de pilotar um drone? O que achou?
Gabriel: “Sim, achei bem interessante, o movimento é bem fluído e preciso, eu consegui fazer o drone voar um pouco. Também existe o controle de drone via iPad, que provavelmente deve estar no mercado daqui a alguns anos”.

A tinta que economiza água

Por Gabriel Nunes

Com a crise da água na grande São Paulo, várias soluções surgiram na Feira de Ciências e Tecnologia do Colégio Bandeirantes. Um dos projetos foi ‘’Revestimento auto limpante’’ grupo do sétimo ano, composto pelos alunos Ana Arakaki, Marina Morita, Paloma MInharro, Isabella Avila e Victória Sanchez, que apresentou uma tinta da ‘’ultra ever dry’’ que é óleo e hidrofóbica. Essa tinta repele tudo a base de óleo e água além de ser um anticorrosivo, prolongar a vida útil dos produtos e ser anticongelamento. Sua aplicação é feita através de pulverizadores com gatilho manual. A tinta cria uma camada de ar sob o objeto, fazendo com que apenas 2-3% do revestimento entre em contato com a água. Cada aplicação dura, em média um ano ou mais.

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O grupo escolheu o tema porque ‘’queríamos ajudar nossa cidade ‘’ (referência à falta de água em SP). Além disso, explicaram também que em uma lavagem de carro, por exemplo, 378 de litros de agua são gastos, com essa tinta a lavagem não seria necessária até porque simplesmente o carro não iria se sujar.

É realmente impressionante a qualidade e dedicação de cada projeto e esse é só um dos exemplos de que a idade não é sinônimo de conhecimento. São Paulo conta com 7 milhões de veículos que são lavados quinzenalmente em média, sendo gastos 378 litros por lavagem. No entanto, com a tinta proposta pelo grupo a cada mês seriam economizados cerca de 5.292 milhões de litros de água.

O Empreendedorismo visto pelo mundo acadêmico

Por Rafael Reis

Em um bate papo rápido, a professora-orientadora Elisabeth Pontes conta como a Feira deste ano difere da anterior: “essa é mais pé no chão, tem viabilidade real”.
A maior parte dos projetos se baseia no empreendedorismo de suas ideias. Por conta disso, há a necessidade de se orientar a partir de trabalhos já existentes, o que resultou em uma parceria com vários setores da POLI-USP. Assim, esse ano, a pesquisa foi muito mais abrangente, visando aprimorar projetos realizados em várias partes do mundo.
Como resultado, “até os professores aprenderam muito”, ela conta, ressaltando a complexidade e o aspecto interdisciplinar da feira. Os alunos atuam não só como pesquisadores, mas também como empreendedores.

O projeto orientado por ela, por exemplo, envolve um estudo sobre a mobilidade na cidade de São Paulo, seu histórico, e sobre a rentabilidade e as consequências do “CUBO”, uma bicicleta que se dobra em uma pequena caixa. Outro exemplo é o da “Aquaponia”, modelo agro-econômico inovador de biofiltração orgânica e autossustentável, que é realizado tanto em grandes fazendas nos EUA quanto por um brasileiro, que o instalou em sua própria casa e o utiliza como forma de subsistência.

Aquários do projeto de Aquaponia

Aquários do projeto de Aquaponia

“Os alunos começam achando que vai ser só um texto [o projeto], aí eles se surpreendem, quando percebem a complexidade por trás dele.” conta Elisabeth. Essa surpresa agradável também é sentida pelos visitantes da feira.

Explore o QuiMundo!

Por Beatriz Langella

Os alunos da 2.a série do Ensino Médio apresentaram um projeto que relaciona jogos e educação de forma divertida. Para esses estudantes a maior parte dos jogos educativos não são interessantes devido à ausência de recursos atraentes, como o design, e a falta de criatividade para que o jogador não se sinta na sala de aula.

Foi pensando em todos os elementos que faltavam para que esses jogos fossem cativantes, que o grupo decidiu desenvolver um jogo que mesclasse o conteúdo das aulas de Química e o formato de jogos de RPG como o popular Assasin´s Creed. Com a plataforma RPG maker, foi criado o QuiMundo, em que o aluno tem que aplicar seus conhecimentos químicos para completar cada fase nesse mundo situado dentro de um átomo.

Essa criação pode ser extremamente eficiente para as pessoas que possuem dificuldades nas aulas, já que o jogo aborda o assunto de forma diferente. Além disso, ainda evita que o jogador apresente uma espécie de bloqueio em relação ao conteúdo do jogo.

 

Veja estes tomates, conheça sua história

Por Caio Meneses

A Feira de Ciências e Tecnologia se destaca por seu altíssimo nível em termos de qualidade dos projetos apresentados. Para alcançar tal nível de excelência, os grupos precisam de muito trabalho duro durante todo o ano. Cada projeto é cuidadosamente elaborado de forma que este possa ser iniciado o mais rápido possível e ainda tenha tempo suficiente para ser plenamente desenvolvido apesar de erros e atrasos.

Isso é o que aconteceria em um grupo ideal. Entretanto, o projeto sobre o qual falarei neste texto foge um pouco desse padrão. As diferenças deste grupo em relação aos demais começam no seu processo de criação (chamo de processo, pois não foi simples nem rápido). Até a formação do grupo ser a atual, os integrantes passaram por intensas reviravoltas. Enfim, ele estava oficialmente formado.

Logo após a composição, as primeiras semanas foram dedicadas à decisão do tema, que variou radicalmente e sofreu diversas mudanças, substituições e discussões até a decisão final: recuperação de solos utilizando o zeólito.

O zeólito é um mineral com grande potencial para ser usado na agricultura para recuperar solos degradados. O problema é que este é um tema complexo, que envolve experiências nunca realizadas antes e manipulação de organismos vivos (plantas). O experimento consistiu em germinar sementes de tomates e submetê-las a três diferentes tratamentos: solo inerte (solo a ser recuperado), solo inerte com zeólito e solo inerte com vermiculita (mineral que desempenha a mesma função do zeólito). Entretanto, o único problema é que o crescimento e desenvolvimento de plantas depende de fatores externos como a temperatura e umidade do ar. Por fim, após vários erros e tentativas, os resultados esperados começaram a aparecer.

Na reta final, começaram a investir na apresentação e estratégias de divulgação. Como inovação foi a marca do grupo durante todo o trabalho, eles desenvolveram um aplicativo no qual é possível obter novas informações sobre o trabalho, que está disponível gratuitamente através de QR Codes espalhados pelo Colégio, no dia da Feira, e pelo link: http://app.vc/zeolito